terça-feira, 25 de agosto de 2015

Cristóvão Colombo



Navegador genovês (1451-1506). Descobriu a América e acabou ligando a Europa ao Novo Mundo.

Cristóvão Colombo foi o primeiro homem a comprovar o que muita gente, em sua época, já desconfiava: o mundo, na verdade, tinha uma forma esférica. Ele acreditava ser possível viajar para o leste ou para o oeste e acabar retornando ao ponto de partida. Colombo nasceu em Gênova, cidade portuária no norte na Itália, onde cresceu circulando entre navios e marinheiros. Naquela época, o comércio europeu com o Extremo Oriente, praticado principalmente por mercadores venezianos que seguiam a rota descoberta por Marco Pólo, estava florescendo. O problema é que o caminho terrestre de pólo era extremamente longo e difícil.

Alguns navegadores, como Colombo, acreditavam na possibilidade de que o mundo era esférico e estavam convencidos de que poderiam chegar ao Oriente, no leste, viajando para oeste.

Hoje, sabemos que o mundo é, de fato, uma esfera com grandes massas de terra nos hemisférios oriental e ocidental. Mas, na Europa, até a época de Colombo, em geral, acreditava-se que a Terra fosse achatada como um prato e quem navegasse para muito longe no oceano acabaria caindo pela borda.

Colombo estava disposto a fazer a experiência – potencialmente mortal – de viajar a oeste para atingir o leste e saiu em busca de um governo que financiasse sua aventura. Os governantes das cidades italianas de Gênova e Veneza assim como de Portugal recusaram sua proposta. Ele procurou então o rei Fernando V de Aragão (1452-1516) e a rainha Isabel I (1451-1504) de Castela, na Espanha, que concordaram em fornecer três navios (Nina, Pinta e Santa Maria) e a tripulação necessária. Colombo zarpou do porto de Palos na Espanha, no dia 6 de setembro de 1492. Depois de uma viagem de cinco semanas, durante as quais seus marinheiros quase se amotinaram, no dia 12 de outubro de 1492 a expedição provavelmente onde hoje se localizam as Bahamas. Depois visitou o que atualmente corresponde aos territórios de Cuba, Haiti e República Dominicana.

Poucos fatos na história da humanidade foram tão importantes quanto a chegada de Cristóvão Colombo nas Américas. Importante: Colombo não "descobriu" a América, pois, quando ele chegou ao Caribe, que ele pensava ser a Índia, havia cerca de nove milhões de nativos no hemisfério ocidental. Estes, no entanto, não tinham a menor idéia de que houvesse um hemisfério oriental, assim como os europeus nem desconfiavam da existência de um continente a oeste. Os dois hemisférios eram tão diferentes e independentes como se realmente existissem em planetas separados. O grande feito de Colombo foi uni-los.

Colombo retornou à Espanha em 15 de março de 1493 e fez outras viagens de colonização em 1493, 1500 e 1502. Em 1506 ele morreu, ainda acreditando que atingira a Ásia. Suas descobertas foram tratadas com entusiasmo pelas autoridades espanholas, que fizeram um tremendo esforço na exploração e colonização das terras recém-descobertas. Para elas, na verdade, Colombo havia mesmo descoberto um "Novo Mundo".

Copérnico



Nicolau Copérnico

O cientista Copérnico foi o primeiro a provar que a Terra gira em torno do Sol.
Durante o Renascimento, alguns ramos da ciência tiveram grandes avanços. Mas nem sempre as descobertas científicas eram bem vistas pelas autoridades da Igreja católica. Alguns cientistas foram obrigados a esconder seus experimentos e invenções, pois podiam ser acusados de heresia. Foi o caso do astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473 – 1543).

Copérnico revolucionou a ciência ao mostrar que a Terra gira em torno do Sol.  A Igreja  ficou perplexa com essa teoria, pois, segundo seus teólogos, a Terra era plana, imóvel, o centro do Universo: o Sol girava em torno dela.

Filho de família rica, Copérnico foi educado por um tio, que era bispo e o tornou membro da Igreja. Logo cedo, entretanto, procurou desenvolver estudos que ampliavam a explicação religiosa para o mundo e a  natureza.

Pintura do século XVI, representando Copérnico no alto de seu observatório perscrutando o céu.
Com apenas 18 anos, Copérnico já estudava astronomia e matemática na Universidade da Cracóvia, Polônia. Depois de uma passagem pela península Itálica, onde aperfeiçoou seus conhecimentos, imaginou o duplo movimento dos planetas: o e rotação e o de translação.

Para desenvolver suas teorias, instalou um observatório no alto de uma torre. Ali passou noites e dias a observar o céu. Copérnico fez inúmeros cálculos com instrumentos por ele mesmo fabricados. Tudo o que descobriu apontava para o mesmo resultado: o Sol não se move; ele está no centro de um conjunto de planetas que giram o seu redor.

O astrônomo também explicou  a existência das estações do ano e a duração dos dias e das noites.
As teorias de Copérnico só foram aceitas pela Igreja mais de um século depois da sua morte.

Constantino



Imperador romano (288-337 d.C.). Em seu governo, a fé cristã se tornou a religião oficial do Império Romano.

Constantino tornou-se imperador romano no ano 306 d.C., após a morte de seu pai, Constâncio Cloro, em York, na Inglaterra. Ele assumiu o poder num momento de grande agitação interna e encontrou um império decadente, do qual até mesmo algumas regiões da Itália queriam se desligar. Ele comandou muitas batalhas contra seus rivais que culminaram na derrota de Licínio em Crisópolis e em Adrinopla em 323 d.C.

Constantino teve um papel importantíssimo no início do Cristianismo. Isso por que, a partir de 323 d.C., a fé cristã passou a ser aceita e até mesmo incentivada pelos romanos. Mas não era assim no início do Cristianismo. Na verdade, durante um certo período, a fé cristã foi até tolerada pelos romanos. Mas, com o tempo, ela começou a se expandir muito rapidamente e passou a ser vista como uma perigosa ameaça. Por isso, os imperadores começaram a perseguir os cristãos. Nessa época era comum o lamentável espetáculo de cristãos serem atirados aos leões no coliseu de Roma para divertimento das multidões.

A situação começou a mudar com Constantino. Durante a batalha em Adrinopla, ele teria contemplado uma cruz numa visão e isso fez com que ele passasse a creditar sua vitória a Jesus Cristo.

Constantino chegou até a mediar uma grande disputa interna a respeito da doutrina entre facções orientais e ocidentais da igreja. Em 323 d.C., ele convidou os bispos representantes dos dois grupos para uma conferência na cidade de Nicéia, hoje Iznik, Turquia, onde as diferenças foram resolvidas. O Concílio de Nicéia, esboçado nessa reunião, definiu as crenças básicas cristãs, com as quais ambos os lados deveriam concordar. Então, Constantino estabeleceu o Cristianismo como a religião oficial de todo o Império Romano e também tomou medidas para evitar que a fé cristã fosse destruída por perseguição externa ou por conflitos internos. Constantino não só preservou o Cristianismo como também deu um passo da maior importância para torná-lo a religião dominante da Europa.

Confúcio



Filósofo chinês (551-479 a.C.). Criou um sistema filosófico seguido por mais de cinco milhões de pessoas atualmente.

Considerado um dos mais importantes filósofos chineses, Confúcio nasceu onde hoje fica a província Xantung, no nordeste da China. Seu pai morreu quando ele era tinha apenas três anos de idade e, por isso, ele e sua mãe chegaram até a passar algumas dificuldades. Ele foi professor e estudou história e arqueologia e chegou a visitar Lao Tsé, quando este trabalhava nos arquivos da corte na província de Honan. Embora influenciado por Lao Tsé e pelo Taoísmo, Kung Fu Tsé decidiu seguir um caminho alternativo. A sua filosofia não está tão preocupada com a vida após a morte, como os hinduístas ou taoístas, por exemplo, e sim mais voltada às relações harmoniosas entre as pessoas, os membros da família ou mesmo na sociedade.

Seguindo carreira como filósofo da corte, Kung exortou os governantes chineses a "governarem pela virtude interior" para ganhar o respeito de seus súditos e dar um exemplo para que as pessoas pudessem seguir. O sábio chinês não aprovava a tirania e, acreditava que o Estado existe para benefício do povo, e não o contrário. Como escritor, Kung compilou poemas, estórias e lendas e as reuniu numa série de livros que ainda hoje sobrevivem como clássicos da literatura chinesa. Entre eles estão o Livro dos Poemas, o Livro da História, o Livro das Etiquetas e o Livro das Mutações (o I Ching).

Depois de sua morte, seus escritos continuaram a ser lidos e influenciaram muita gente. Ele acabou sendo descoberto pelos europeus, que publicaram seus trabalhos sob o nome latinizado de Confúcio.

O Confucionismo é hoje uma religião praticada por cinco milhões de pessoas, a maioria delas na Ásia. Ocupa o sexto lugar entre as fés mais seguidas no mundo, embora seja mais um sistema ético do que uma religião. Os princípios do Confucionismo incluem, entre outros, o respeito em relação à família e à sociedade, a fidelidade aos dirigentes e deferência aos superiores, a justiça moral e social e virtude suprema do altruísmo e benevolência.

Cleópatra


cleópatra


Cleópatra é uma das mulheres mais conhecidas da história da humanidade e um dos governantes mais famosos do Egito, tendo ficado conhecida somente como Cleópatra. Nunca foi a detentora única do poder em sua terra natal - de fato co-governou sempre com um homem ao seu lado: o seu pai, o seu irmão (com quem casaria mais tarde) e, depois, com o seu filho. Contudo, em todos estes casos, os seus companheiros eram apenas reis titularmente, mantendo ela a autoridade de fato.
Cleópatra nasceu em 69 a.C., na cidade de Alexandria, fundada por Alexandre, o Grande no delta do Nilo e que nos séculos anteriores ao nascimento de Cristo desempenhou o papel de metrópole cultural, artística e econômica do Mediterrâneo Oriental. Embora fosse egípcia por nascimento, pertencia a uma dinastia macedônica que se estabelecera no Egito em 305 a.C., quando o general macedônio Ptolomeu tomou o título de rei. Era filha do rei Ptolomeu XII Auleta e da rainha Cleópatra V. Apesar da origem estrangeira da dinastia à qual pertencia, Cleópatra foi a única da sua dinastia a dominar a língua egípcia.
Cleópatra foi a última Rainha da Dinastia ptolomaica que dominou o Egito após a Grécia ter invadido aquele país. Subiu ao trono egípcio aos 17 anos de idade, após a morte do pai.

Tinha uma grande preocupação com o luxo da corte e com a vaidade. Costumava enfeitar-se com jóias de ouro e pedras preciosas (diamantes, esmeraldas, safiras e rubis), que encomendava de artesãos ou ganhava de pessoas próximas e familiares.

A morte de Cleópatra

Muitos textos antigos afirmam que ela tenha sido morta por meio de uma picada de cobra. (resta saber se por uma NAJA, ou uma VÍBORA). A Naja possui um veneno mais letal e sua picada é de difícil identificação. Já a Víbora provoca um inchaço grotesco, e, por esta razão, a morte por meio de uma víbora é descartada por estudiosos.

A morte por meio da picada da naja evitaria a exposição de Cleópatra num triunfo romano, conforme desejo de Otaviano. Cleópatra estava confinada num dos quartos do palácio e, tudo que era levado até ela era inspecionado para evitar seu suicídio. Mas de alguma forma, ela conseguira se matar conduzindo uma de suas mãos a uma "compota" onde uma naja estaria entre os frutos. Quando os soldados romanos de Otaviano entraram no quarto da rainha, ela já jazia morta e vestida com trajes reais. Otaviano nada pode fazer a não ser expor para seu poderio militar um retrato da rainha Cleópatra.

Os dois filhos gêmeos de Cleópatra perderam-se na história. Otaviano matou Cesário, impedindo definitivamente qualquer chance de prosperidade política para o filho da rainha. Alexandria deixou de ser um lugar dedicado ao saber, passando a ser uma mera província romana no Egito. Mas Cleópatra nunca fora esquecida. Ela era a rainha do antigo Egito.
Registros apontam que a combinação de: espiritualidade, determinação e inteligência tornaram Cleópatra à mulher mais famosa do mundo.

Ciro, o Grande



Imperador persa (558-528 a.C.). Fez do Império Persa um dos maiores e mais importantes do mundo.

Os grandes impérios que existiram ao longo da história são importantes não apenas por sua influência política mas também por seu legado, ou herança, cultural. Com o passar do tempo, o controle político sobre um império acaba, mas aspectos importantes, como a língua, a literatura e os costumes, permanecem vivos durante séculos.

Um dos mais antigos dos grandes impérios e, com certeza, um dos mais importantes do sudoeste da Ásia e do Mediterrâneo Oriental, foi o Império Persa, criado por Ciro, o Grande, filho de Cambises, um nobre persa, e Mandane, filha de Astíages, rei da Média. Segundo a lenda, que lembra muito a lenda grega do rei Édipo, Astíages havia sonhado que seu neto se tornaria o governante de toda a Ásia. Por isso, tentou, e não conseguiu, matá-lo quando ele ainda era um bebê. Ao atingir a maturidade, Ciro derrotou seu avô e prosseguiu no cumprimento daquilo que o velho havia profetizado. Ciro também subjugou o Império Lídio, conquistou a Babilônia e capturou todas as cidades gregas da Ásia Menor. Ao mesmo tempo, libertou o povo hebreu, que era mantido em cativeiro na Pérsia, conforme está descrito na Bíblia. Na época de sua morte, Ciro havia criado um império gigantesco, o maior do mundo até então, que se estendia das montanhas do Hindu Kush, onde hoje fica o Afeganistão, até o Rio Indo, nas margens do Mediterrâneo, onde seus sucessores enfrentariam os gregos em um conflito que definiria o futuro da história do mundo.

Graças às conquistas de Ciro, a riqueza da cultura persa se espalhou por grande parte do que até então era o mundo desenvolvido. Em sua última campanha militar, contra os massagetas, uma tribo de nômades que viviam na Ásia Central, suas tropas foram derrotadas e Ciro foi morto. O famoso pintor barroco Peter Paul Rubens (1577-1640) imortalizou sua derrota final na tela A Cabeça de Ciro Trazida à Rainha Tamíris.

Charles de Gaulle



Estadista francês (1890-1970). Comandou a resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial.

O nome mais importante da vida política francesa desde Napoleão Bonaparte, Charles Andre Marie Joseph de Gaulle nasceu em Lille, no norte da França, no dia 22 de novembro de 1890, e ingressou na academia militar francesa em St. Cyr em 1910. Ele se formou poucas semanas antes do início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), durante a qual serviu em combate como tenente do exército francês. Depois da guerra, ele atuou na ocupação militar da Alemanha e nas colônias ultramarinas francesas, antes de retornar à França para aceitar uma nomeação para o Conselho Supremo de Guerra e para o Conselho da Defesa Nacional. Na década de 1930, a estratégia defensiva da França – ou seja, proteger-se da vizinha Alemanha, seu inimigo tradicional – baseava-se na concepção de um perímetro defensivo fixo, altamente fortificado, conhecido como Linha Maginot. De Gaulle começou a irritar seus superiores militares quando passou a criticar a Linha Maginot e a idéia de uma defesa fixa. Em vez disso, ele propunha uma força móvel de tanques e de veículos armados, semelhantes aos que os alemães estavam desenvolvendo. Depois do início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em 1º de setembro de 1939, os alemães não fizeram nenhuma tentativa imediata de atacar a Linha Maginot. Mas, em maio de 1940, forças alemãs investiram contra a França, seguindo para o norte da Linha Maginot. Coube a De Gaulle liderar várias ações de sucesso com os poucos tanques que possuía. De forma geral, no entanto, os franceses não estavam bem preparados para enfrentar os alemães e, em 14 de junho, os invasores capturaram Paris e derrotaram a França.

De Gaulle fugiu para a Inglaterra, de onde enviava vários mensagens ao povo francês para continuar a resistência. O governo de Vichy da França, instaurado sob os auspícios das tropas de ocupação alemãs, condenaram De Gaulle, mas, com o apoio dos ingleses (e posteriormente dos americanos), ele conseguiu reunir seu Exército Livre Francês. Em 6 de junho de 1944, quando os Aliados desembarcaram na Normandia para libertar primeiro a França e depois a Europa, De Gaulle e seu exército estavam presentes. E ele os liderou vitoriosamente na libertação de Paris dez semanas depois. De Gaulle, então, formou um governo provisório francês, em que ele mesmo ocupou o cargo de presidente. Pouco tempo depois, em 1946, ele se aposentou.

Em 1958, quando a guerra na colônia francesa da Argélia ameaçava desencadear um conflito dentro na própria França, De Gaulle decidiu deixar a aposentadoria de lado e se elegeu presidente por uma esmagadora maioria de votos. Ele resolveu o problema argelino, dando-lhes a independência e então se preocupou em reconstruir a vida econômica e política francesa. Sob sua Quarta República, a França voltou a ocupar seu lugar de destaque como uma das principais forças políticas da Europa e, claro, do mundo.
Em 1968, no entanto, uma revolta que uniu estudantes e trabalhadores enfraqueceu a confiança do povo francês no governo de De Gaulle e em 28 de abril de 1969 ele renunciou, passando a Quarta República para Georges Pompidou (1911-1974). De Gaulle morreu em Colombey les Deux Églises em 9 de novembro de 1970.

Charles Darwin



Cientista inglês (1809-1882). Provocou polêmica no mundo da época ao propor que o homem o macaco descendem de um mesmo ancestral.

Nascido em Shrewsbury, Inglaterra, neto do famoso fabricante de cerâmica Josiah Wedgewood (1730-1795), Charles Robert Darwin foi educado em Cambridge, onde se interessou por ciência em geral e, mais particularmente, pela evolução do mundo natural. Até o início do século XIX, era comum se acreditar que a Terra e nosso ambiente natural haviam sido criados exatamente da forma como está relatado na Bíblia, e tanto o ambiente como a Terra haviam permanecido mais ou menos os mesmos desde sua origem.

Na época de Darwin, no entanto, muitos cientistas tinham passado a crer na possibilidade de que os seres vivos mudavam com o passar do tempo, como parte de um processo evolucionário. As pessoas que defendiam essa teoria eram conhecidas como evolucionistas. E as que acreditavam que a Bíblia era a verdade literal eram conhecidas como criacionistas.

Os criacionistas acreditam que todas as espécies – das ostras aos seres humanos, por exemplo – haviam sido criadas exatamente do mesmo jeito com que as vemos hoje, e que sempre tiveram a mesma forma. Os evolucionistas, ao contrário, sustentam que uma espécie é capaz de mudar de uma geração para a outra. E que duas espécies similares, embora diferentes, como leões e tigres, podem ter um mesmo ancestral comum que tenha vivido milhões de anos atrás. Embora a idéia da evolução tenha sido discutida na Grécia desde o século V antes de Cristo, Darwin foi o primeiro homem a formular uma teoria bem detalhada sobre esse polêmico assunto.

Após se graduar em Cambridge, Darwin aceitou o cargo de naturalista (sem ganhar salário) durante cinco anos numa expedição de pesquisa a bordo do navio HMS Beagle. O Beagle deixou a Inglaterra em dezembro de 1831 e retornou em outubro de 1836. Durante a viagem de cinco anos, sua tripulação explorou a América do Sul, a Austrália, a Nova Zelândia e inúmeras ilhas por onde passou. A partir de resultados colhidos na expedição, Darwin começou a sintetizar sua teoria da evolução. Ele descobriu que em ilhas remotas, como em Galápagos, próximas h costa ocidental da América do Sul, as espécies eram muito diferentes das espécies relativas encontradas nos continentes. Com isso, ele concluiu que, embora elas possuíssem um ancestral em comum, o ambiente diferente, ao longo do tempo, tinha levado as espécies a "evoluir" também de forma diferente.

Darwin continuou a aprimorar sua teoria da seleção natural, que dizia que as espécies evoluíam porque a natureza "selecionava" as plantas e os animais mais aptos em ambientes específicos. Ele levou vinte anos para detalhar completamente sua teoria, mas, quando seu livro A Origem das Espécies finalmente foi publicado, em 1859, ele influenciou radicalmente as teorias das ciências biológicas da época, mudando totalmente a perspectiva que as pessoas tinham da história do mundo e do ambiente em que viviam.
Em 1871, Darwin publicou A Descendência do Homem, no qual ele especulava a respeito da evolução dos seres humanos, expondo a polêmica teoria de que as pessoas haviam evolui'do de um ancestral não humano, que partilhavam com os macacos. Ele também escreveu longos tratados científicos sobre a biologia das plantas, além de temas variados, como os recifes de corais, as ilhas vulcânicas e a geologia da América do Sul.

César Augusto



Imperador romano (63 a.C.-14 d.C.). Sob seu governo, Roma se firmou como um poderoso império e teve um enorme crescimento cultural e comercial.

Júlio César havia ampliado os limites do que era um "Império Romano de fato" e se tornara o primeiro governante absoluto de Roma. No entanto, o Império Romano não havia sido oficialmente declarado até que seu sobrinho Otaviano assumisse o poder em 27 a.C. Ele era filho de Caio Otávio e Ácia, cuja mãe era Júlia, irmã de Júlio César. Otaviano tinha trinta anos de idade quando seu tio foi assassinado.
Embora César houvesse nomeado Otaviano como seu sucessor, o jovem encontrou oposição tanto dos aliados de seu tio como de seus rivais. Otaviano concordou em governar como parte de um triunvirato (conselho governante composto por três homens), com Marco Lépido (?13 a.C.) e Marco Antônio (83-30 a.C.), um dos tenentes de confiança de César. Esse triunvirato, por sua vez, defrontou-se com uma guerra civil movida por Caio Cássio (?42 a.C.) e Marco Júnio Bruto (85-42 a.C.), dois dos conspiradores do assassinato de César, que pretendiam restabelecer a República. Após derrotar os rebeldes, o triunvirato dividiu o poder geograficamente: a Europa ficou sob o comando de Otaviano, a África nas mãos de Lépido e o Egito para Marco Antônio.

No Egito, onde a monarquia local estava sujeita ao governo romano, Marco Antônio estabeleceu seu poder na cidade de Alexandria, onde se apaixonou pela rainha egípcia Cleópatra (69-30 a.C.), que era sua amante. Com freqüência, Marco Antônio dava presentes generosos a Cleópatra, o que provocou uma série de boatos, segundo os quais ele pretendia dar a própria Roma como presente. Quando esses rumores chegaram aos ouvidos de Otaviano, ele ficou enfurecido e imediatamente declarou guerra a Marco Antônio. Os dois lados se enfrentaram na Batalha de Ácio em 31 a.C., e os exércitos de Marco Antônio e Cleópatra levaram a pior. Com isso, eles decidiram fugir para o Egito com o que restara de suas tropas e com Otaviano em seu encalço. Sentindo que a derrota era iminente, Marco Antônio e Cleópatra suicidaram-se em 30 a.C.

Otaviano retornou a Roma em 29 a.C. e se declarou imperador romano, assumindo o nome de César Augusto. Sob seu governo, o Império Romano tornou-se uma monarquia austera e com controle centralizado. Com ele, também a língua latina e o alfabeto romano tornaram-se padrão para toda a Europa. Embora Roma já fosse um império antes de Otaviano tornar-se César Augusto, coube a ele proclamar "o" Império Romano. Foi ele também quem governava durante o período em que a Pax Romana (a paz de Roma) reinou sobre todo o "mundo conhecido".

Unido sob um líder único e forte, o Império Romano teve um próspero desenvolvimento, tanto cultural como comercial. A arte e a literatura tornaram-se hábitos importantes na vida das cidades romanas e foram elaborados grandes projetos para construção de estradas, pontes, aquedutos, coliseus, residências e prédios públicos, não só em Roma como também em outras cidades espalhadas pelo império. Por isso, é comum se dizer que Otaviano herdou uma Roma de tijolos e a deixou feita de mármore.

Castello Branco



Militar cearense (1897-1967). Primeiro presidente da República do Regime Militar de 1964.

Humberto de Alencar de Castello Branco (20/9/1897-18/7/1967) nasce em Fortaleza, filho de militar, e vai para a cidade de Mecejana com a família logo em seguida. Passa a infância e juventude entre o Recife, em Pernambuco, o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, Teresina, no Piauí, e são Luís do Maranhão, acompanhando as transferências do pai. muda-se para Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, em 1912, quando tem o ano de nascimento alterado por seu pai para 1900 de modo a conseguir estudar no Colégio Militar de Porto Alegre. A prática é comum na época, uma vez que a idade máxima para cursar o 2º grau do colégio era de 12 anos. Único cearense da turma, tem entre os colegas Arthur da Costa e Silva, a quem transfere o poder ao deixar a Presidência da República. Chega a general e à chefia do Estado-Maior do Exército durante o governo João Goulart. É reformado no posto de marechal quando cai o presidente. Eleito presidente pelo Congresso, assume o cargo em 11 de abril de 1964. Apoiado no Ato Institucional nº 1, cassa mandatos e direitos políticos – como os do ex-presidente Juscelino Kubitschek –, suspende garantias constitucionais, dissolve os partidos, acaba com as eleições diretas para os cargos executivos e intervém em sindicatos e associações civis. Em 15 de março de 1967 passa o poder ao general Costa e Silva, seu ministro do Exército. Quatro meses depois morre num desastre aéreo no Ceará.

Carlota Joaquina



Rainha de Portugal e imperatriz honorária do Brasil (1775-1830). É considerada uma das principais articuladoras políticas do reino português.

Carlota Joaquina de Bourbon (22/4/1775-7/1/1830) nasce no Palácio de Aranjuez, na Espanha. Filha do rei espanhol Carlos VI, casa-se com o príncipe herdeiro de Portugal ainda menina – ela, com 10 anos, ele, com 16. Logo começam suas desavenças com o marido, que culminariam em conspirações e traições. Em 1805 une-se a fidalgos para derrubar dom João VI, então regente do reino. Descoberta a trama, separa-se dele e passa a residir em Queluz, enquanto ele permanece em Mafra, ambas as cidades em Portugal. No entanto, com o bloqueio continental decretado por Napoleão Bonaparte em 1807, é obrigada a mudar-se com a corte portuguesa para o Brasil, país que renega e chama de "terra de negros e carrapatos". Descrita como "quase horrenda" por diversos historiadores, em 1820 manda matar a mulher de seu amante, Francisco Braz Carneiro Leão, por ciúme. Envolve-se na questão platina como pretendente à direção das colônias espanholas da América, projeto frustrado com a ocupação do Uruguai pelo Brasil. Em 1821, por causa da Revolução do Porto, retorna a Portugal. Recusa-se a assinar a Carta Constitucional e alia-se ao clero e à nobreza para tramar a Conspiração da Rua Famosa, movimento absolutista descoberto em 1822. Como punição, é confinada na Quinta do Ramalho. Após a morte do marido, em 1826, apóia o golpe do filho Miguel contra a rainha dona Maria II, filha de dom Pedro I. Com a derrota de dom Miguel, é presa em Queluz, onde morre.

Carlos Magno

Imperador medieval (742-814 d.C.). Foi responsável por estabelecer um império quase tão grande quanto o Império Romano.
O Império Romano foi a realidade política dominante na Europa e no Mediterrâneo por meio milênio quando de sua queda em 476 d.C. Com tal colapso, a Europa, que perdera a unidade de um império que havia estado presente por várias gerações, tornou-se um continente fragmentado, formado por vários reinos rivais. Pedaços do antigo império tornaram-se centros com poderes individuais governados por vários monarcas. Embora politicamente a Europa estivesse retalhada, ela estava unificada por uma religião comum: o Cristianismo. E isso se transformou numa das principais características do período que hoje chamamos de Idade Média.

Embora Roma, onde os papas cristãos residiam, permanecesse como o centro espiritual da Europa, o eixo do poder militar havia se deslocado mais para o norte, onde habitavam os francos. Por volta do final do século VIII, seu líder mais poderoso tinha apenas 26 anos de idade: era Carlos Magno, filho de Pepino, o Breve (714?-768), e neto de Carlos Martel (789?-741 d.C.), hoje considerado um dos maiores governantes da história da Europa.

Mas mesmo os grandes governantes encontram oposição. Como principal adversário de Carlos Magno estava o rei italiano Desidério. Ele queria que o papa Adriano I coroasse os filhos menores do antecessor de Carlos Magno como monarcas de partes do reino dos francos.

Depois de derrotar Desidério, Carlos Magno fez com que a maior parte dos estados do norte da Itália ficassem sob controle dos francos. Ele, então, seguiu para Roma, onde encontrou-se com o papa. Lá, Carlos Magno descobriu que, a longo prazo, os objetivos de ambos eram muito compatíveis. A meta de Carlos Magno era tornar-se o líder de um império que fosse tão vasto quanto o romano. E o papa Adriano I precisava de uma força política unificada e dominante que governasse a Europa e se aliasse à Igreja. Uma de suas principais tarefas seria proteger e expandir o Cristianismo do mesmo modo que os exércitos mouros difundiam o Islã. Assim, com a bênção papal, Carlos Magno acrescentou boa parte da Dinamarca, da Alemanha e da Europa central a um império que já incluía a França e um bom pedaço da Itália. E também reconquistou parte da Espanha dos mouros.

No Natal do ano 800 d.C., em Roma, enquanto assistia à missa, Carlos Magno viu-se inesperadamente coroado por Leão III, sucessor de Adriano I, como o "Imperador dos Romanos". Com isso, o Império Romano do Ocidente, que deixara de existir 325 anos atrás, estava de volta ao cenário político mundial, dessa vez com o nome de Sacro Império Romano (mesmo que ainda não fosse "oficialmente" conhecido dessa forma). Embora só fosse reconhecido pelo governante do Império Romano do Oriente em 812 d.C., Carlos Magno rapidamente ganhou o respeito da maioria dos povos de seu império. Isso permitiu que a Europa novamente se transformasse num ambiente pacífico e unificado. Assim, a Pax Romana estava de volta ao continente europeu. Por isso, costuma-se dizer que o governo de Carlos Magno trouxe um momento de brilho no turbulento milênio que assolou a Europa após a queda do Império Romano.

Carlos Lamarca



Militar e guerrilheiro fluminense (23/10/1937-17/9/1971). Filho de carpinteiro, faz o ginásio em colégio de padres e ingressa na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre, em 1955. Dois anos depois é transferido para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), e declarado aspirante-a-oficial em 1960.

Passa a servir no 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna, na cidade de Osasco (SP). É enviado para integrar as Forças de Paz da ONU na região de Gaza (Palestina), de onde volta 18 meses depois. Está ligado à 6a Companhia de Polícia do Exército, em Porto Alegre, quando ocorre o golpe militar de 1964. Volta a Quitaúna em 1965 e é promovido a capitão em 1967.

Faz contatos com facções de esquerda que defendem a luta armada para derrubar a ditadura e, em 1969, abandona o quartel para unir-se à organização clandestina Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), levando armas da guarnição para a guerrilha.

Exímio atirador, torna-se um dos mais ativos militantes da oposição armada ao Regime Militar. Participa de diversas ações, como assaltos a bancos, e instala um foco guerrilheiro no Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo, desarticulado em 1970 pelo Exército.

No mesmo ano comanda o seqüestro do embaixador suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, no Rio de Janeiro, e foge para a Bahia. Em 17 de setembro de 1971 é localizado na zona agreste baiana, no município de Ipupiara, e assassinado pelas forças da repressão.

Carlos Chagas



Médico, sanitarista e cientista mineiro (1879-1934). Descobre o processo de contágio e evolução de duas das mais graves moléstias tropicais: a malária e o mal de Chagas.

Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas (9/7/1879-8/11/1934) nasce em Oliveira, filho de um fazendeiro. Estuda medicina no Rio de Janeiro, terminando o curso em 1903. Nesse mesmo ano ingressa no Instituto Bacteriológico Osvaldo Cruz, no Rio, que dirige a partir de 1917. Em 1905 é enviado pelo médico Osvaldo Cruz a Santos, São Paulo, para deter uma epidemia de malária, descobre que a transmissão é feita por um mosquito e viabiliza o combate à doença. Em 1907, ao chefiar a comissão de estudos e prevenção da malária em Minas Gerais, começa a pesquisar uma endemia de causa ignorada, mais tarde chamada de doença de Chagas. Em 1909 identifica o agente causador da moléstia, um protozoário ao qual dá o nome de Trypanosoma cruzi, em homenagem a Osvaldo Cruz. Também encontra o inseto transmissor, o barbeiro. Entre 1911 e 1912, faz um abrangente levantamento epidemiológico na Amazônia. Em 1918, como diretor de saúde pública do Rio de Janeiro, chefia a campanha contra epidemia de gripe espanhola. Suas investigações levam a métodos para o tratamento e a erradicação dessas doenças e lhe traz reconhecimento internacional. Ganha os prêmios Schaudim (1912) e Krummel (1925), ambos na Alemanha, e recebe o título de doutor honoris causa pelas universidades de Paris, Harvard, Bruxelas, Buenos Aires, Lima e Arequipa. Passa a integrar o Comitê de Higiene da Liga das Nações Unidas e funda o Centro Internacional de Lepologia. Morre no Rio de Janeiro, com extensa obra publicada.

Caramuru



Aventureiro português e patriarca da Bahia (1475?-1557). Entra para a história por passar a vida entre os índios e facilitar o contato deles com os primeiros administradores e missionários portugueses.

Diogo Álvares Correia (1475?-1557) é apelidado de Caramuru pelos tupinambás. Pouco se sabe sobre os primeiros anos de sua vida. O tempo em que passou em terras brasileiras é repleto de lendas. É encontrado entre os tupinambás na Baía de Todos os Santos, em 1531, pela expedição de Martim Afonso de Souza. Segundo relato da época, havia 22 anos que vivia entre os índios. Calcula-se que tenha nascido em Viana do Castelo e naufragado em costas brasileiras, junto com uma nau portuguesa, em 1509. Oito companheiros que com ele alcançam as praias são devorados pelos tupinambás. Há várias versões para explicar por que Caramuru é poupado. Uma delas diz que ele teria imposto respeito aos índios ao disparar uma arma de fogo, daí o novo nome, que significaria homem do fogo, filho do trovão. Outra versão afirma apenas que ele era magro demais e não teria apetecido aos canibais. Nesse caso, Caramuru seria o nome indígena para o peixe moréia. De qualquer modo, ganha a confiança da tribo e casa-se com a índia Paraguaçu. Caramuru morre em Salvador em 1557 e Paraguaçu vive mais 26 anos. O casal deixa quatro filhas que, casadas com colonos portugueses, dão origem a algumas das mais tradicionais famílias baianas, como os Moniz, os da Torre e os Garcia d'Ávila.

Cândido Rondon



Militar e sertanista mato-grossense (1865-1958). Líder de expedições desbravadoras no oeste do Brasil e fundador do Serviço de Proteção ao Índio.

Cândido Mariano da Silva Rondon (5/5/1865-19/1/1958) nasce em Mimoso. Forma-se engenheiro militar e bacharel em ciências físicas, naturais e matemáticas no Rio de Janeiro em 1890. Quatro anos depois entra para a comissão construtora de linhas telegráficas entre Goiás e Mato Grosso. Durante os trabalhos, encontra índios hostis ou escravos de fazendeiros e os coloca sob a proteção de sua tropa. Começa a estender linhas telegráficas até o Acre, cruzando 1.650 km de sertões e 1.980 km de florestas inexploradas. Sob sua direção é criado o Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Traça o roteiro e acompanha a expedição do ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt à Região Norte. A seguir faz o levantamento das regiões de Mato Grosso, de Goiás e do Amazonas. Em 1939 é nomeado presidente do Conselho Nacional de Proteção ao Índio. No mesmo ano recebe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o título de civilizador dos sertões. A 17/2/1956, o território de Guaporé é rebatizado como Rondônia, em sua homenagem. Três anos antes de sua morte, ocorrida no Rio, o Congresso Nacional lhe confere o posto de marechal.

Campos Salles



Político paulista (1841-1913). Presidente da República entre 1898 e 1902. Como primeiro-ministro da Justiça da República, institui e regulamenta o casamento civil.
Manoel Ferraz de Campos Salles (15/2/1841-28/6/1913) nasce em Campinas, então província de São Paulo, filho de proprietários rurais cafeicultores. Forma-se em direito em 1863, em São Paulo, e entra na política quatro anos depois, como deputado provincial. Em abril de 1873 é um dos organizadores da Convenção de Itu, que funda o Partido Republicano Paulista (PRP) e define sua posição contra a monarquia e a favor do fim da escravidão. Em 1885 elege-se deputado-geral pelo PRP. Com a proclamação da República, é nomeado ministro da Justiça do governo provisório. Nessa função, institui a obrigatoriedade do casamento civil para que seja aceito legalmente, organiza a Justiça Federal e reformula o Código Penal. No final do governo provisório, elege-se senador por São Paulo (1891). Em 1896 assume o governo do estado, cargo a que renuncia para concorrer à Presidência da República. Eleito em 1898, desenvolve uma política de apoio à agricultura e de valorização do plantio de café, recusando-se a adotar medidas de proteção à incipiente indústria brasileira. Na política externa, soluciona os conflitos de fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa e inicia negociações com a Bolívia para a anexação do território do Acre. Deixa o governo em 1902 e só retorna à vida pública em 1909, para assumir o mandato de senador por São Paulo. Morre na cidade paulista de Santos.

Calvino



Líder religioso francês (1509-1564). Importante teólogo da Reforma Protestante, impôs hábitos austeros e puritanos aos seus seguidores.

Assim como Lutero, Calvino também teve grande importância na chamada Reforma Protestante. Ele nasceu em Noyon, na França, e estudou latim em Paris e Direito em Orleans, onde começou a se interessar por teologia e o estudo da Bíblia. Em Burgos, além de outras cidades francesas, ele começou a disseminar suas doutrinas reformistas. Em 1535, uniu-se a Nicolas Cop, reitor do Universidade de Paris, quando este anunciou seu apoio a Martinho Lutero. Acusados de heresia, ambos foram obrigado a abandonar Paris. Em 1536, Calvino publicou a primeira edição do seu A Instituição da Religião Cristã, um conciso e provocativo estudo que o colocou na vanguarda do protestantismo europeu.

Nesse mesmo ano, visitou Genebra e foi convidado a participar do movimento reformista da cidade. Calvino permaneceu em Genebra até 1538. Mas, depois, devido aos seus pontos de vista radicais, principalmente quanto à moral e à religião, também teve de abandonar a cidade e fixou-se em Estrasburgo, onde participou ativamente da vida religiosa até 1541. Em Estrasburgo, Calvino publicou o primeiro de seus numerosos volumes comentários sobre os livros da Bíblia. Nesse mesmo ano, no entanto, ele foi convencido a voltar para Genebra, onde não foi só chefe religioso como também governante e líder político. Desde então, Genebra tornou-se o principal centro protestante da Europa. Calvino impôs hábitos austeros aos cidadãos. O jogo, a dança e o canto, que não fosse ligado à igreja, por exemplo, eram proibidos. E pessoas suspeitas de bruxaria, assim como quem discordava de Calvino, foram queimadas vivas em fogueiras. Calvino, que representou a face mais conservadora e puritana do protestantismo, morreu em Genebra em 27 de maio de 1564.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Buda



Filósofo oriental (563-483 a.C.). Abandonou a família e as riquezas do seu palácio para meditar e criar uma das mais importantes religiões orientais.

Entre as grandes religiões do mundo que contam com o maior número de seguidores, duas (o Judaísmo e o Hinduísmo) têm raízes na Antiguidade e, por isso, não possuem um fundador específico. Mas as outras três (Budismo, Cristianismo e Islamismo) têm origens mais recentes e há registros de quem as estabeleceram. O fundador do Budismo chama-se Sidarta Gautama, que nasceu em Lumbini, no norte da índia (hoje Nepal). Ele era filho de um abastado rajá e se casou muito jovem, aos dezesseis anos de idade, com uma prima da mesma idade. Sidarta foi criado num ambiente luxuoso palácio e cercado de conforto material. Mas isso não lhe bastava e ele vivia insatisfeito. Ao seu redor, a maioria das pessoas era pobre e sempre passava necessidade. Mesmo entre os ricos, havia pessoas infelizes. E a morte era certa para todos. Sidarta decidiu, então, criar uma nova filosofia religiosa, que livrasse o espírito, senão o corpo, das aflições mundanas Aos 29 anos de idade, ele teve várias visões e se convenceu de que deveria abandonar o palácio, sua esposa e seu filho recém-nascido, renunciar a todas as propriedades mundanas e sair, com um andarilho, em busca da "verdade". Ele visitou muitos religiosos e passou anos jejuando e meditando com o objetivo de superar todos os desejos do corpo, incluindo a fome, e adquirir o total controle de sua mente. Depois percebeu que isso não adiantava nada e voltou a se alimentar normalmente.

A verdade que Sidarta tanto perseguia lhe apareceu numa noite de maio, por volta de 528 a.C., quando, sentado sob uma árvore, ele recebeu o que os budistas chamam pelo nome de Iluminação. Sidarta compreendeu que os sofrimentos poderiam ser derrotados. Uma das doutrinas básicas do Hinduismo é o ciclo da reencarnação. As almas de todas as coisas vivas que morressem renasceriam em outras coisas vivas. Este ciclo continua para sempre, com a alma evoluindo desde um inseto, passando por um animal, até chegar à forma humana. Se um homem é ruim durante sua vida, ele renasceria como uma forma de vida inferior. Se não, ele renasce como outra pessoa. Este ciclo de reencarnação é infinito, mas Sidarta concluiu que, ao seguir o caminho correto (dharma) da meditação e devoção, a alma poderia chegar ao nirvana, um estado final não diferente do conceito judaico-cristão de Paraíso.

Sidarta adotou o nome de Buda, que significa "o iluminado", e saiu pelo mundo para ensinar sua filosofia. Após sua morte, seus seguidores espalharam a filosofia budista pela Ásia, encontrando na China, no Japão e no sudeste da Ásia um número de adesões muito maior do que na própria Índia. Hoje, há quase 300 milhões de budistas no mundo, 99,5% deles na Ásia.

Borba Gato



Bandeirante paulista (1628?-1718). Participa das expedições em busca de minérios, que dão origem ao ciclo do ouro e do diamante, no Brasil do século XVII.

Manuel de Borba Gato (1628?-1718) nasce em São Paulo e, na juventude, dedica-se à caça de índios para escravização. Em 1674 junta-se à mais importante expedição de Fernão Dias Pais Leme, seu sogro, conhecido como caçador de esmeraldas. A bandeira, que parte em busca de ouro e pedras preciosas, segue pelo vale do rio Paraíba, em São Paulo, até Taubaté. De lá segue para o norte de Minas Gerais, explorando os sertões mineiros até o vale do Jequitinhonha. Em 1682 é responsabilizado pelo assassinato do administrador-geral das minas, Rodrigo de Castel Blanco. Decide tornar-se um foragido da lei, embrenha-se no sertão, onde continua a busca de minérios. Encontra ouro na região de Sabará e nos vales dos rios Sapucaí e Grande, em 1695. A descoberta impulsiona a mineração em Minas Gerais, em Mato Grosso, na Bahia e em Goiás e dá origem ao período de 40 anos conhecido como ciclo do ouro. Como recompensa pelas descobertas, Borba Gato obtém o perdão real em 1700 e é nomeado guarda-mor do distrito de Rio das Velhas. No ano seguinte recebe terras entre os rios Paraopeba e das Velhas, e funda o arraial de Sabará. É nomeado superintendente das minas em 1702, cargo que ocupa por várias vezes. Morre em Sabará.

Berta Lutz



Cientista, líder feminista e política paulista (1894-1976). É uma das pioneiras da luta pelo voto feminino e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres no país.

Berta Maria Júlia Lutz (2/8/1894-16/9/1976) nasce na cidade de São Paulo, filha do cientista Adolfo Lutz. Forma-se em ciências naturais na Universidade de Paris, a Sorbonne, especializando-se em anfíbios anuros, subclasse que inclui os sapos, as rãs e as pererecas. Em 1919 começa a se destacar na busca de igualdade de direitos jurídicos entre os sexos, ao se tornar a segunda mulher a ingressar no serviço público brasileiro, após ser aprovada em concurso do Museu Nacional, no Rio de Janeiro – a primeira é Maria José Rabelo Castro Mendes, admitida em 1918 no Itamaraty. No mesmo ano funda a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher. Em 1922 representa as brasileiras na assembléia-geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos, onde é eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. Ao regressar, cria a Federação Brasileira para o Progresso Feminino, que substitui a liga criada em 1919, para encaminhar a luta pela extensão de direito de voto às mulheres. O direito de voto feminino é estabelecido por decreto-lei do presidente Getúlio Vargas apenas dez anos depois, em 1932. Em 1936 assume uma cadeira de deputada na Câmara Federal. Durante seu mandato, defende a mudança da legislação referente ao trabalho da mulher e dos menores de idade, propondo a igualdade salarial, a licença de três meses para a gestante e a redução da jornada de trabalho, então de 13 horas. Morre no Rio de Janeiro.

Benjamin Constant



Político e militar fluminense (1833-1891). Um dos fundadores da República, é autor da divisa Ordem e Progresso da bandeira brasileira.
Benjamin Constant Botelho de Magalhães (18/10/1833-22/1/1891) nasce em Niterói e em 18)2 ingressa no Exército. Estuda engenharia na Escola Central e astronomia no Observatório do Rio de Janeiro, na mesma época em que ensina matemática no Imperial Colégio Pedro II. Em 1887 funda o Clube Militar, importante centro de propaganda republicana do qual se torna presidente. Em 9 de novembro de 1889 preside a sessão na qual os membros do Clube Militar decidem pela queda da Monarquia. Após a proclamação da República assume a pasta da Guerra no governo provisório e, em 1890, é aclamado general-de-brigada em comício público. Nesse mesmo ano passa a chefiar o Ministério da Instrução Pública, Correios e Telégrafos. Elabora uma reforma no ensino baseada nos princípios do positivismo, corrente filosófica que considerava a educação uma prática anuladora das tensões sociais. Morre no Rio de Janeiro.

Bento Gonçalves


Guerreiro durante a maior parte de sua vida, Bento Gonçalves da Silva morreu na cama. Maçom e defensor de idéias liberais, pelas quais lutou durante os quase dez anos da Revolução Farroupilha, viu, ao final de seu esforço, a vitória do poder central. Presidente da uma república, viveu a maior parte de sua vida em um Império.

Bento Gonçalves da Silva nasceu em Triunfo, em 1788, filho de alferes. Cedo, porém, saiu de sua terra. Em 1812 foi para Serro Largo, na Banda Oriental (Uruguai), onde se estabeleceu com uma casa de negócios. Dois anos depois estava casado, com Caetana Joana Francisca Garcia. Algumas versões afirmam que, em 1811, antes de se fixar na Banda Oriental, participou do exército pacificador de D. Diego de Souza, que atuou naquela região. Essa informação, entretanto, é discutida.
Mas, se não foi em 1811, em 1818 com certeza começou a sua atuação militar, quando participou da campanha do Uruguai (que culminaria com a anexação formal daquele país ao Brasil, em 1821, como Província Cisplatina). Aos poucos, devido à sua habilidade militar, ascendeu de posto, chegando a coronel em 1828, quando foi nomeado comandante do Quarto Regimento de Cavalaria de 1a. linha, estabelecido em Jaguarão. Passou a exercer também os postos de comandante da fronteira e da Guarda Nacional naquela região.
Provavelmente já era maçom nessa época, pois consta que organizou várias lojas maçônicas em cidades da fronteira. É certo, contudo, que sua influência política já era grande, pois o posto de comandante da Guarda Nacional era um cargo eminentemente político.

Em 1832 Bento foi indicado para um dos postos de maior influência que havia na província, o de comandante da Guarda Nacional do Rio Grande do Sul. Isto lhe dava uma posição estratégica, que soube utilizar quando da Revolução Farroupilha: sob seu comando estavam todos os corpos da Guarda Nacional, força especial que havia sido criada em 1832 e cujo oficialato era sempre composto por membros das elites de cada região.

Esse cargo de confiança, entretanto, não impediu que Bento continuasse dando apoio aos seus amigos uruguaios. Foi por isto que, em 1833, foi denunciado como desobediente e protetor do caudilho uruguaio Lavalleja, pelo mesmo homem que o havia indicado para o posto de comandante da Guarda Nacional, o marechal Sebastião Barreto Pereira Pinto, comandante de Armas da Província.
Chamado ao Rio de Janeiro para se explicar, Bento saiu vitorioso do episódio: não voltou para a província como comandante de fronteira, mas conseguiu do regente padre Feijó - que também defendia idéias liberais - a nomeação do novo presidente da Província, Antonio Rodrigues Fernandes Braga, o mesmo homem que iria derrubar, em 1835, quando deu início à Revolução.
De volta ao Rio Grande, continuou a defender suas idéias liberais, à medida que se afastava de Braga, denunciado pelos farrapos como prepotente e arbitrário. Eleito para a primeira Assembléia Legislativa da província, que se instalou em abril de 1835, foi apontado, logo na fala de abertura, como um dos deputados que planejava um golpe separatista, que pretendia desligar o Rio Grande do Brasil.
A partir desse momento, a situação política na província se deteriorou. As acusações mútuas entre liberais e conservadores eram feitas pelos jornais, as sessões da Assembléia eram tumultuadas. Enquanto isto, Bento Gonçalves articulava o golpe que teve lugar no dia 19 de setembro.

No dia 21, Bento Gonçalves entrou em Porto Alegre. Permaneceu na cidade por pouco tempo, deixando-a para comandar as tropas revolucionárias em operação na província. Exerceu esse comando até dois de outubro de 1836, quando foi preso no combate da ilha do Fanfa (em Triunfo), junto com outros líderes farrapos. Foi então enviado para a prisão de Santa Cruz e mais tarde para a fortaleza de Lage, no Rio de Janeiro, onde chegou a tentar uma fuga, da qual desistiu porque seu companheiro de cela, o também farrapo Pedro Boticário, era muito gordo, e não conseguiu passar pela janela. Transferiram-no então para o forte do Mar, em Salvador. Mesmo preso, sua influência no movimento farroupilha continuou, pois foi eleito presidente da República Rio-Grandense em 6 de novembro de 1836.
Mas, além do apoio farroupilha, Bento contava com o da Maçonaria, de que fazia parte. Essa organização iria lhe facilitar a fuga da prisão, em setembro de 1837. Fingindo que ia tomar um banho de mar, Bento começou a nadar em frente ao forte até que, aproveitando um descuido de seus guardas, fugiu - a nado - em direção a um barco que estava à sua espera.
Em novembro ele regressou ao Rio Grande, tendo chegado a Piratini, a então capital farroupilha, em dezembro, quando tomou posse do cargo para o qual havia sido eleito. Imediatamente, passou a presidência ao seu vice, José Mariano de Mattos, para poder comandar o exército farroupilha.
A partir de então, sua vida seriam os combates e campanhas, embora se mantivesse como presidente. Em 1843, entretanto, resolveu renunciar ao cargo, desgostoso com as divergências que começavam a surgir entre os farrapos. Passou a presidência a José Gomes de Vasconcelos Jardim, e o comando do exército a David Canabarro, assumindo apenas um comando de tropas.
As divisões entre os revolucionários terminaram por resultar em um desagradável episódio. Informado que Onofre Pires, um outro líder farrapo, fazia-lhe acusações, dizendo inclusive que era ladrão, Bento o desafiou para um duelo, no início de 1844. Onofre Pires foi ferido, e morreu dias depois devido a uma gangrena.
Embora tenha iniciado as negociações de paz com Caxias, em agosto de 1844, Bento não iria concluí-las. O clima de divisão entre os farrapos continuava, e ele foi afastado das negociações pelo grupo que se lhe opunha. Desligou-se, então, definitivamente da vida pública. Passou os dois anos seguintes em sua estância, no Cristal e, já doente, foi em 1847 para a casa de José Gomes de Vasconcelos Jardim, onde morreu, de pleurisia, em julho daquele ano.